Um Barco

quinta-feira, 7 agosto 2008

Cedo ou tarde

Cedo ou tarde, não tem jeito,
A conta é apresentada,
Mais alta que o esperado,
Tão cara quanto doída,
Toda cobrança da vida.

Cedo demais me parecia,
O tempo que se arrastava,
Lento e frio escorrendo
Como o suor pelo rosto,
Todo travo do desgosto.

Cedo ou tarde, eu já sabia,
Que o sonho ia findar
Na percepção do instante,
No despertar da razão,
Todo engano da ilusão.

Tarde demais, eu me dizia
E foi como num momento,
Apenas um instante,
Não mais que um segundo,
Todo tempo do mundo.

Tarde ou cedo, cedo ou tarde,
Não importa o quanto dure,
Mais tarde que o por do sol,
Mais cedo que o amanhecer,
Toda angústia de ser.

 

Meia Noite
(Edu Lobo e Chico Buarque)

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Se a noite não tem fundo
O mar perde o valor
Opaco é o fim do mundo
Pra qualquer navegador
Que perde o oriente
E entra em espirais
E topa pela frente
Um contingente
Que ele já deixou pra trás
Os soluços dobram tão iguais
Seus rivais, seus irmãos
Seu navio carregado de ideais
Que foram escorrendo feito grãos
As estrelas que não voltam nunca mais
E um oceano pra lavar as mãos

Filed under: Poesia — Um Barco @ 5:38 pm

1 Comentário »

  1. Tarde ou cedo, cedo ou tarde, que importa?
    Importa que, cedo ou tarde, o sol trazendo um novo dia apontará no horizonte … e ainda que nunca o alcancemos, ele sempre nos encontrará.

    Comentário by Mi — domingo, 17 agosto 2008 @ 10:15 pm

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