Um Barco

quinta-feira, 11 setembro 2008

Até

Até quando verei a noite,
Vazia como uma saudade,
Tão escura quanto fria,
Mais crua que a verdade?

Até que ponto a escuridão
Vai me esconder da tristeza,
Quando o que me restar for nada
Além de ausência e certeza?

Até onde me levará a ilusão
Que sempre foi lanterna e guia
No instante em que o fim do túnel
Revelar o que eu não via?

Até, talvez, ao encontro vazio
Com nada além do que se espera,
Nada aquém do que se teme
Quiçá a última quimera.

Até porque a dúvida, amiga fiel,
Agora que tudo é mais claro,
Se afasta deixando a verdade,
Desencanto, desamparo.

Até que enfim e, certamente,
Até o fim de todo segredo,
Até que o sorriso se acabe, vazio,
Até outro sonho, outro medo.

 

Memória e Fado
(Egberto Gismonti & Geraldo Carneiro)

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Por que o sonho terminava
Quando o dia amanhecia
No espelho
Vinha um medo desse gosto morto do passado
Mergulhado na memória
Eu não queria que a vida findasse no abismo desse quarto
Amargando amargurada solidão

Por que a hora se esvazia
Na memória do espelho
Como um fado
Teço o fio do meu sonho cheio de mistério
Um rosário de silêncio
E a minha boca fechada com medo das sombras desses anjos
Que se foram e não voltam nunca mais

Filed under: Poesia — Um Barco @ 8:28 pm

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