Um Barco

terça-feira, 22 janeiro 2008

No Fundo

No fundo do olho, a mente
Lê a vida na retina, invertida
E, enganadora, reinverte,
Deixando o mundo direito,
Menos no fundo,
No fundo, tudo é imperfeito.

No fundo da mente, o sonho
Se esconde por não concordar
Com a imagem que a mente girou,
Para tudo parecer natural,
Menos no fundo,
No fundo, tudo é irreal.

No fundo do sonho, o desejo
À espreita, mas enganado
Pela mente que aprisiona
Tudo que é invisível,
Menos no fundo,
No fundo, tudo é possível.

No fundo do desejo, a ilusão
Contida, tolhida, não acredita
Na mente ardilosa
Que a vida disfarça,
Menos no fundo,
No fundo, tudo é uma farsa.

No fundo da ilusão, o olho
Que vê a vida alimentar o sonho,
Que traz o desejo e cria a ilusão
De ordem, de sentido, de um plano,
Menos no fundo,
No fundo, tudo é engano.

No fundo do fundo, a porta,
Para além da vida, do sonho,
Do desejo e da própria ilusão,
Início de uma grande jornada,
Menos no fundo,
No fundo, no fundo, tudo é nada.

Inutil Paisagem
(Tom Jobim & Aloysio de Oliveira)

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Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que
De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem
Pode ser
Que não venhas mais
Que não voltes nunca mais
De que servem as flores que nascem
Pelos caminhos
Se o meu caminho
Sozinho é nada
É nada

Filed under: Poesia — Um Barco @ 9:58 am

4 Comments »

  1. Não sei quem tu és! O que é tudo isso que vejo? Um barco?
    Ainda não sei como cheguei aqui… não consegui absorver o todo disso que vejo…apenas a delicadeza de seu gesto. Drama!

    Gracie!

    Ainda absorvendo…

    reverências!

    Comentário by maria clara — terça-feira, 29 janeiro 2008 @ 12:57 am

  2. Oi…
    Agora menos boquiaberta.
    Mas ainda inquieta…

    No funda me dá uma sensação de busca… uma explicação?…de algo que não tem explicaçã! Mas sempre uma busca… um estar vivo!

    bjo

    Comentário by maria clara — quarta-feira, 30 janeiro 2008 @ 12:50 pm

  3. No fundo, no fundo, tudo acaba mesmo em nada. Meu abraço.

    Comentário by Jota Effe Esse — sábado, 2 fevereiro 2008 @ 5:51 am

  4. no fundo , no fundo….sempre encontramos nós mesmos e nossas crenças…

    Comentário by Anônimo — terça-feira, 19 fevereiro 2008 @ 3:15 am

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