Um Barco

terça-feira, 27 novembro 2007

Realidade

É tudo vago e vazio
Quando um nada se instala
No que parecia cheio,
Quando se sentia pleno
E hoje parece nada ser
Além da sombra que foi.

Nada a sentir ou fazer
Quando tudo se esvazia
E pouco resta, pouco sobra,
No que, há pouco, se acreditava,
Naquilo que se imaginava
A razão primeira, o motivo maior.

Nessa hora o silêncio,
Amigo nem sempre constante,
Traz à tona o som da solidão,
Acalanto do tempo futuro
Inaudível no presente,
Desespero do passado.

No vazio, me encontro,
Um vácuo amplo e sereno,
Que me leva e que me traz
Em direção a lugar nenhum
Que me guia e que me embala
Por um nada que me envolve.

Nessa calma bem vinda
Da percepção do nada,
Nessa ilusão plena de paz
O beber das horas é doce,
O saber-me é vago, sereno,
Mente branca, coração vazio.

No caminho calmo do corpo,
No pensar vago da mente,
Imaginar o tudo que se viveu
Como se fosse um sonho, passado,
Que ficou para trás, acabou.
Alimentar a ilusão de renascer.

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Resposta ao Tempo
(Cristovão Bastos & Aldir Blanc)

Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei.

Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei.

E gira em volta de mim,
sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver.

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer.

Filed under: Poesia — Um Barco @ 4:13 pm

2 Comments »

  1. Aos 59 anos (ou seriam 58?) se tem muito conhecimento para compartilhar… Voltarei mais vezes, ler palavras belas divagações consideráveis em um blog que achei pelo puro acaso do mundo.

    Comentário by Ricardo — quinta-feira, 13 dezembro 2007 @ 4:44 pm

  2. E não é que perdida nesse domingo banzento, passeando pela net, resolvi revisitar o seu barco e eis que dou de cara com alguém batendo na porta?
    E para minha surpresa e felicidade sabe quem era? O vento! Ele e todas boas memórias que trouxe.
    Linda música

    beijo

    Comentário by bruta flor do querer — domingo, 27 julho 2008 @ 4:32 pm

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