Um Barco

terça-feira, 20 outubro 2009

Torpor

Nada assistir
Por não apreciar,
Não discernir,
Não enxergar.

Nada entender
Por não concordar,
Não perceber,
Não acatar.

Nada querer
Por não avocar,
Não exercer
Não se esforçar.

Nada assumir
Por não se engajar,
Não aderir,
Não confiar.

Nada sentir
Por não internar,
Não permitir,
Não aceitar.

Nada deixar
Por não construir,
Não afirmar
Não definir.

Nada esquecer
Por nada lembrar,
Nada valer,
Nada importar.

___________________________

Evangelho
(Paulo César Pinheiro & Dori Caymmi)

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Eta mundo que a nada se destina
Se maior se faz, mais se arruína
Se mais quer servir, mais nos domina
Se mais vidas dá, são mais os danos
Se mais deuses há, mais são profanos
Estes pobres de nós seres humanos

Eta vida, essa vida de infelizes
Quanto mais coração, mais cicatrizes
No amor é que a dor cria raízes
De dentro do bem é que o mal trama
Da felicidade cresce o drama
Dessas tristes de nós vidas humanas

Eta tempo que em pouco nos devora
O pavio da vela apagará
Quanto mais se partir tempos afora
Mais nos tempos de agora se estará
E mais tarde quando o tempo melhora
A nossa mocidade onde andará?

Eta morte que acaba tempo e vida
O mundo não conseguiu saída
É o fim mas pode ser o começo
Quem tenta fugir faz sempre o avesso
E quanto mais vidas se cultiva
Mais a morte alimenta a roda viva

Filed under: Música,Poesia — Um Barco @ 8:31 pm

3 Comments »

  1. Impossível ler voce sem que sentimentos diversos brotem a cada verso…Adoro passar por aqui!

    Comentário by estrelas — terça-feira, 20 outubro 2009 @ 9:51 pm

  2. Eu disse que acharia, não disse?
    Belo poema!
    Lembrança às suas garotas.

    Comentário by SM — quarta-feira, 21 outubro 2009 @ 11:10 pm

  3. Que beleza encontrar essa música por aqui. Forte. Pesada. Até triste. Mais fatalista que triste, na verdade. Aquele maravilhoso LP de Dez Anos do MPB-4. Para mim, essa música dialogava com o Assim seja, amém, do Gonzaguinha, se não me engano.

    Comentário by Luzia Porto — sexta-feira, 4 novembro 2011 @ 2:50 am

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